sexta-feira, 8 de junho de 2007

A escola dos nossos tempos.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” – Luís de Camões, in Lusíadas

A civilização portuguesa há muito que espera por uma evolução política, como cultural, para corrigir o atraso com o qual o estado novo nos soube brindar durante quarenta e um anos! Pois bem, nos dias de hoje vejo aqueles que podem causar uma evolução, a maioria, não estão para ai virados. Falo daqueles com acne, que esperam pelos primeiros pêlos faciais, que ainda se deslumbram ao ver-se ao espelho – os jovens!

A maioria dos jovens fala de tudo, tudo o que lhes interessa, mas que nada interessa o mundo. Falam nada de tudo! Política é aborrecida, história é enfadonha, matemática é um bicho-de-sete-cabeças, português é uma seca, etc. Aponto esta falta de interesse social e humana a vários sectores e instituições que entram diariamente na vida dos jovens

Primeiro: Os erros presentes no ensino, seja ele público ou privado. A falta de rigor, disciplina e autoridade nos estabelecimentos básicos e secundários. A liberdade que o aluno dispõe dentro da sala de aula é absurda. O aluno desfruta de um arsenal de comportamentos negativos e prejudiciais que atingem os seus colegas, professor e o próprio. O professor já não é, nem de perto, aquela figura com a qual não se pode falhar com a boa educação. Infelizmente não é só ele, mas sim, todo o pessoal docente incluindo o presidente do conselho executivo – aquele que devia parecer uma espécie de Adamastor para os alunos incorrectos – todos eles perderam o seu prestígio/estatuto aos olhos dos seus aprendizes. Como é possível ensinar desta maneira e obter bons resultados?

Contudo, creio que existe outra coisa importante na educação dos jovens para além da escola – o convívio com a família.

Mais são os pais que se preocupam em mimar os filhos dos que se preocupam em pô-los na “linha”.

Se o querido filho tem a brilhante ideia de arranjar um problema com a polícia ou com o pessoal docente da sua escola, lá vêm os encarregados de educação defendê-los com sete pedras na mão e consolá-los com palmadinhas nas costas e um banho de rosas à mistura. Não se preocupam em falar, em serem cruéis quando é altura de o ser, em imporem regras que se forem quebradas devem ser alvos de penalização!

A verdadeira educação, aquela que devia ser dada pelos pais, foi substituída pela televisão. Num mundo onde as coisas se resolvem através da violência, onde não são transmitidos quaisquer valores e princípios para o funcionamento correcto da sociedade e relações interpessoais, enfim, tudo isto é consumido pelos jovens! Ficam embriagados com tanta futilidade e violência. Onde fica o conhecimento no meio disto tudo?

O jovem aprende a ser mais egocêntrico do que aquilo que já é, aspira a ser famoso e não talentoso, mergulha no mundo de sonhos e fantasias onde se encontra no centro do universo. E com isto vai-se afastando e abstraindo-se cada vez mais da dura realidade que um dia irá encontrar, e só ai se vai lamentar da sua felicidade ingénua…

Se não existe vontade própria, o jovem não procura o conhecimento porque o mundo à sua volta não o promove. Eis o resultado: os interesses da juventude lusa são o prazer momentâneo, a felicidade fácil, a violência gratuita, serem aquilo que não são, e, como diria Cesariny – o joelho é o limite.

Se o ensino, a família, a televisão, a sociedade e os próprios jovens não se preocupam em obter conhecimento, sabedoria e respeito mútuo, digo muito convictamente que, não vai ser, por certo, esta geração a causar a evolução que este pais à tanto espera.

Não se pode deixar perder o potencial dos jovens, jovens como eu!

9 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Não os poupes, mete o dedo na ferida! :)

«BASTA PUM, BASTA! Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas, é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de ZERO! Abaixo a geração! Morra o Dantas, morra! PIM!(...)»

- Início do Manifesto Anti-Dantas, por José de Almada Negreiros (Poeta d'Orfeu, Futurista e TUDO!)

É impressionante a intemporalidade de certas coisas...ou a genialidade de certos pensadores :)

Um beijinho e uma vénia*

8 de junho de 2007 às 01:40  
Blogger Blu3m4n disse...

nao te preocupes! ja antes dos gregos se crucificava uma juventude desatenta e desordeira que pretendia apenas dIsfrutar (:P, n keres tirar fruta pois nao?) do imediato...os pelos faciais hão-de vir! Don't worry, be stupid!!! :D, ou não...

20 de junho de 2007 às 15:25  
Anonymous Anônimo disse...

Ó senhor Arriaga, onde é que anda que isto está uma pasmaceira? Se não fosse o Bluem4an e eu a virmos cá comentar, era só "batatinhas com arroz, batatinhas com arroz" :)

Vê lá se despachas o exame e escreves! E MAIS: Vê lá se trazes a guitarra que estou a ressacar Moonlight Sonata :D

Um beijinho e uma vénia*

11 de julho de 2007 às 00:46  
Anonymous Anônimo disse...

P.s.: "Vê lá se despachas o exame", é mesmo conversa de pistoleira com Síndrome de Férias...x)

11 de julho de 2007 às 00:49  
Anonymous Anônimo disse...

ahah!
lá está a critica "arriaga", construida nos mais profundos abismos do pensamento filosófico de raizes gregas, aquele sentido de unilateralidade do verossimíl sentido único de ideal universal!

Humm... existem muitos que não fazem, e muitos que dizem que fazem mas não fazem, e muitos que pensam que fazem, não dizem que fazem e não fazem, e também muitos que não pensam que fazem, não dizem que fazem mas fazem muito!
Trata-se de encontrar a ténue linha, onde a critica e a construtividade não se anulem uma à outra.

Certo?
Divaga-se...

17 de julho de 2007 às 22:53  
Blogger The Light That Blinds disse...

É como eu te digo puto, os putos cada vez mais são instigados à rebeldia (Morangos com Açúcar: Geração Rebelde, Hip-Hop gangstas, blábláblá), e esquecem das bases da sociedade: saber-estar e respeito. Nunca são punidos por nada do que fazem, porque ditos especialistas (sociólogos, psicólogos e outros ólogos)dizem que não deve ser feito... A verdade é que não há nada que um bom par de estalos não resolva

30 de julho de 2007 às 15:57  
Blogger Klatuu o embuçado disse...

Isto acabou?

20 de agosto de 2007 às 06:11  
Anonymous Anônimo disse...

Não sei, eu bem tento que volte à vida mas ele não me liga pevas!!
Tau tau menino Arriaga :)

27 de agosto de 2007 às 00:17  
Anonymous Anônimo disse...

The light that blinds eu acho que há muita coisa que um par de estalos não resolve e muitas vezes até piora, porque as pessoas não sabem os momentos adequados para os...«aplicar».
E acho que a nossa geração já não vai lá com pares de estalos, é mesmo com lavagem cerebral :)

Arriaga, aparece homem! Olha que ainda te dou um tiro! :)
É verdade, vi-te no outro dia ao pé de minha casa com a Raquel pequena e um bébé. Francamente, estive fora nem um mês e tiveste tempo para ficar grávido? Lol, vê se escrebes, beijinho*

27 de agosto de 2007 às 00:25  

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