quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Crónicas “Malandrecas”

Copiar e pastar!

Hoje pensei e cheguei à conclusão que existo. Finalmente! Tirando isso, nada de especial aconteceu. Mas nem me importo de vos contar. Estive a reflectir sobre os trabalhos de grupo na actualidade, e consegui extrair uma ideia do meu raciocínio. Ora bem, os professores queixam-se do copy-paste que a maioria dos alunos faz. Sinceramente, eu acho o copy-paste como o melhor trabalho que um aluno pode apresentar, pelas seguintes razões: primeiro, facilita pessoas como eu, sem qualquer capacidade para fazer algo que dê trabalho; segundo, pesquisar e dissertar sobre uma temática qualquer por nós próprios é coisa do passado. Estamos na era da informação digital e por isso devemos usar a informação como nos é dada! Os professores deviam deleitar-se com isso, em vez de se babarem com trabalhos que alguns alunos, com óculos e buços exagerados, fazem a partir deles próprios usando o raciocínio como ferramenta de trabalho, em vez do copy-paste como…o trabalho!
A minha ideia era a seguinte: como os professores não gostam, os “Quasímodos” sentem-se injustiçados, e os que apresentam o trabalho em copy-paste são recriminados, então, não se fazia trabalhos de grupo.
Mas como esta ideia é (só) um bocadinho utópica, acrescentei mais uma: em vez de trabalhos temáticos, pedia-se trabalhos não temáticos! E isto resolvia tudo! Os professores tinham aquilo que queriam – a criatividade e originalidade no trabalho – e os que faziam copy-paste continuavam a não ter de exercer esforço porque era só escrever à toa.
E os “Quasímodos”? Pois, não sei. Será que isso realmente interessa? Não!
Contudo, vou apresentar aqui um trabalho desse género que, por exemplo, três colegas podiam fazer:

História do tempo da minha avó!

Era uma vez, há muito tempo atrás, (ainda a tua mãe não era nascida) todo o mundo estava coberto por um manto de terror e ódio. Todos se davam mal com todos, havia guerras constantes, muitas mortes, e quem reinava era um homem temível, careca, com uma verruga no nariz. Esse rei chamava-se Joaquim. Com mão de ferro, escravizava mulheres com seios grandes e comia criancinhas ao pequeno-almoço.
Porem, no único reino que ainda não estava convertido a Joaquim, seu rei acabara de morrer numa batalha de proporções épicas na qual eu não tenho paciência agora para contar. E o seu herdeiro, um jovem rapaz em plena puberdade, chamado Mauzinho, ascendia ao trono.
O jovem Mauzinho, consumido de uma raiva cega e bruta, apenas desejava espetar o punhal do seu pai na coxa de Joaquim, o malvado, e uma machadada no meio do nariz.
Rapidamente montado no sei fiel loto, (que era uma girafa) partiu para Dakar, covil de Joaquim, para desferir sua vingança, deixando seu reino nas mãos do seu primo, que era um bocado maricas mas estava habituado à pressão.
Mauzinho, ao chegar a Dakar, onde poucos haviam chegado, especialmente este ano, enfrentara inúmeros perigos. O príncipe e o seu loto tinham confrontado manadas de libelinhas amarelas na floresta cor-de-rosa e coelhos carnívoros de pêlo branquinho e felpudo, com olhinhos grandes e redondos. Corajosamente, enfrentaram todos os seus adversários da mesma maneira…fugindo.
Ao abrir as portas do castelo de Joaquim, uma nova fúria invadira Mauzinho. O Mauzinho já não o era mais e, pegando no seu canivete suíço, subiu as escadas e encontrou Joaquim a ver as tardes da Júlia num programa emocionante, onde iam entrevistar um transsexual arrependido. Mauzinho rapidamente se juntara a ele no sofá para não perder o programa.
Depois do programa acabar Joaquim perguntou a Mauzinho se este queria um chá ou algo do género. Proposta que Mauzinho recusou delicadamente após ter dito que o queria matar. Então, Joaquim pegara na sua moto serra e num escudo em cristal com a assinatura da Vista Alegre e Ideia Casa. Foi nessa altura que se deu lugar a um emocionante duelo que durou 3 horas e envolveu uma mulher grávida, uma torre a arder, masmorras, dragões, fadas, feiticeiros, cavaleiros negros, quatro búfalos com problemas de auto confiança, e tudo o resto que aparece nas músicas de death/black/power/speed/melodic/trash/porn/grind/core/diabolic metal.
No momento em que o herói estava pronto para desferir o ultimo golpe no vilão, ocorre um terramoto em 7.3 na escala de Richter, ou lá qual é o nome do homem, e faz com que o candeeiro, que suportava 1002 velas, cai-se sobre os dois corpos, causando uma dor incrivelmente insuportável, esta que, por sua vez, causou a morte a ambos!

Fim


E não me venham com sensibilidades e argumentos do politicamente correcto! Isto dá mais trabalho do que possam pensar!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

A escola dos nossos tempos.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” – Luís de Camões, in Lusíadas

A civilização portuguesa há muito que espera por uma evolução política, como cultural, para corrigir o atraso com o qual o estado novo nos soube brindar durante quarenta e um anos! Pois bem, nos dias de hoje vejo aqueles que podem causar uma evolução, a maioria, não estão para ai virados. Falo daqueles com acne, que esperam pelos primeiros pêlos faciais, que ainda se deslumbram ao ver-se ao espelho – os jovens!

A maioria dos jovens fala de tudo, tudo o que lhes interessa, mas que nada interessa o mundo. Falam nada de tudo! Política é aborrecida, história é enfadonha, matemática é um bicho-de-sete-cabeças, português é uma seca, etc. Aponto esta falta de interesse social e humana a vários sectores e instituições que entram diariamente na vida dos jovens

Primeiro: Os erros presentes no ensino, seja ele público ou privado. A falta de rigor, disciplina e autoridade nos estabelecimentos básicos e secundários. A liberdade que o aluno dispõe dentro da sala de aula é absurda. O aluno desfruta de um arsenal de comportamentos negativos e prejudiciais que atingem os seus colegas, professor e o próprio. O professor já não é, nem de perto, aquela figura com a qual não se pode falhar com a boa educação. Infelizmente não é só ele, mas sim, todo o pessoal docente incluindo o presidente do conselho executivo – aquele que devia parecer uma espécie de Adamastor para os alunos incorrectos – todos eles perderam o seu prestígio/estatuto aos olhos dos seus aprendizes. Como é possível ensinar desta maneira e obter bons resultados?

Contudo, creio que existe outra coisa importante na educação dos jovens para além da escola – o convívio com a família.

Mais são os pais que se preocupam em mimar os filhos dos que se preocupam em pô-los na “linha”.

Se o querido filho tem a brilhante ideia de arranjar um problema com a polícia ou com o pessoal docente da sua escola, lá vêm os encarregados de educação defendê-los com sete pedras na mão e consolá-los com palmadinhas nas costas e um banho de rosas à mistura. Não se preocupam em falar, em serem cruéis quando é altura de o ser, em imporem regras que se forem quebradas devem ser alvos de penalização!

A verdadeira educação, aquela que devia ser dada pelos pais, foi substituída pela televisão. Num mundo onde as coisas se resolvem através da violência, onde não são transmitidos quaisquer valores e princípios para o funcionamento correcto da sociedade e relações interpessoais, enfim, tudo isto é consumido pelos jovens! Ficam embriagados com tanta futilidade e violência. Onde fica o conhecimento no meio disto tudo?

O jovem aprende a ser mais egocêntrico do que aquilo que já é, aspira a ser famoso e não talentoso, mergulha no mundo de sonhos e fantasias onde se encontra no centro do universo. E com isto vai-se afastando e abstraindo-se cada vez mais da dura realidade que um dia irá encontrar, e só ai se vai lamentar da sua felicidade ingénua…

Se não existe vontade própria, o jovem não procura o conhecimento porque o mundo à sua volta não o promove. Eis o resultado: os interesses da juventude lusa são o prazer momentâneo, a felicidade fácil, a violência gratuita, serem aquilo que não são, e, como diria Cesariny – o joelho é o limite.

Se o ensino, a família, a televisão, a sociedade e os próprios jovens não se preocupam em obter conhecimento, sabedoria e respeito mútuo, digo muito convictamente que, não vai ser, por certo, esta geração a causar a evolução que este pais à tanto espera.

Não se pode deixar perder o potencial dos jovens, jovens como eu!

quinta-feira, 31 de maio de 2007

I'm feeling this...!

“A vida é uma comédia para quem pensa e uma tragédia para quem sente” – Goleman, Daniel, in Inteligência Emocional

Vontade de sentir…
Foi no meio da escuridão, que aquele rasgo de luz me fez encontrar nas tuas palavras soltas, o derradeiro conforto há muito perdido. Eu, que não mereço perdão, contemplo, com felicidade, aquilo que outrora não fazia sentido. O mundo não me é mais que momentos dispersos e abafados na memória sombria de tempos passados.
O clima era intenso. Deitei-me sobre o medo, enquanto esperava desvendar certezas ainda por encontrar, além do horizonte. Mergulhava em saudades, provava pecados e apreciava desgostos. Em busca da harmonia, encostei-me em esperança e sonhos…Fechei os olhos! Por momentos vi-te, por instantes senti-te. Num segundo, lembrei-me de tudo aquilo que me deste e que me negaste.
Mas, pior que ignorarem os nossos sonhos, somente a angustia desse momento, cuja lembrança me esgota a alma, forçando-a a abdicar da felicidade.